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| Lago Atitlán, Jaibalito, Guatemala |
A série mostra nove fotografias de um casamento - com data impressa de out/82. São fotos tradicionais da cerimônia religiosa, tomadas dentro de uma igreja decorada com flores e fitas. Na parede do fundo, onde se imagina o altar, alguns quadros com imagens simbólicas. Nota-se, também, a ausência de quadros e estátuas de santos, dando a impressão de não se tratar de uma igreja católica. Reforçando essa leitura, a cerimônia é realizada por dois homens vestidos com terno e gravata e não se vê um padre com batina.A fotografia nos coloca em contato com a realidade, mas de modo incompleto: atesta a presença do objeto, mas pouco diz sobre ele. Trata-se de um apontamento vigoroso, porém, quase mudo. Ao historiador cabe preencher algumas lacunas para formar um relato sobre essa realidade. Já os artistas percebem nesse “silêncio” um espaço para o imaginário. Não menosprezam a força que liga a imagem ao objeto, mas tiram proveito daquilo que falta. Assumem a precariedade dessa ligação, sem negá-la. E mostram como o desejo é fisgado, não apesar do pouco que a imagem oferece, mas exatamente porque não oferece tudo.1
Sem uma resposta que possa apaziguar definitivamente a pergunta, mais instigante é manter presente a interrogação.2
“Procurar a expressão, por uma vida inteira que fosse, seria em si um divertimento, amargo e perplexo, mas divertimento...” (Clarice Lispector, A mensagem)
“Eu sou enfim a própria coisa que vocês procuravam [...]. E o mais engraçado é que não tenho segredo nenhum”
(Clarice Lispector, A mensagem)
